Na vida, há muitas coisas que julgamos ou aprendemos a julgar importantes, e elas acabam sendo não pelo fato de serem por si mesmas, mas porque não podemos mais nos desvencilhar da crença de que são. Aliás, a própria vida é circunscrita neste preconceito de que ela própria é a coisa mais importante. No entanto, é bom saber que aqui importante não é sinônimo de “coisa boa”, mas daquilo que nossas crenças tornam relevantes dentro da dinâmica de nossa existência.
Em se tratando da vida, ou se tratando das coisas na vida, criou-se um costume de celebrar, festejar, reunir em alegria aqueles e aquelas com os quais e com as quais compartilhamos tudo ou boa parte desse tudo. E celebramos a vida ou as coisas que dela fazem parte. Mas a festa também pode significar uma estratégia de fuga, de mascaramento, fantasia sobre algo que nos aterroriza, assusta, amedronta, e este algo é mesmo a própria vida.
É que para mim – e não apenas para mim –, a pior coisa que pode acontecer, manifestar-se é o nascimento de alguém, de mim mesmo, enfim, de algo que venha a existir. Existir constitui-se de uma dor profundamente pungente. Sair do nada e entrar na dinâmica da existência é uma coisa profundamente indesejável por nós humanos, mas ainda assim, somos convocados a existir por acaso ou por vontade daqueles que, não querendo sofrer sozinhos, chamam a nós, fantasiando-nos como suas réplicas para alimentar a ilusão de suas perpetualidades.
Nascendo, imediatamente entramos no movimento fantasmagórico: criamos estilos de vida ou de sobrevivência, formas de morar, de higienes, de relações, de locomoção, modos de interpretar o mundo, as coisas, forjamos a idéia mesmo de interpretar, de conhecer e de verdade. Inventamos a escrita e o entendimento. Criamos a idéia de cultura. Tudo, tudo o que existe e que faz parte de nossa dinâmica existencial não passa de nossa necessidade de ultrapassar, sobrepor à consciência de que existimos e, portanto, sofremos. Agora entendo o porquê da frase nietzschiana que sempre me chamou a atenção e sempre esteve presente em meu pensamento: “a força curadora está no próprio ferimento”. É que parece que mergulhando na vida (ferida) encontramos seu sentido profundo: o sofrimento. E é assumindo este sentido que assumimos a vida mesma.
E se as invenções, as festas e celebrações são para esquecer o sentido de nossa existência, isso não significa que de fato esquecemo-lo. Pois a existência carrega consigo a tarefa de fazer-nos sempre vigilantes à existência, consciente de que existimos. E na obrigação de lembrar em determinada data a nossa existência e sua epifania, seu nascimento, sua explicação ao mundo, logo encontramos um modo todo ilusório, todo enfeitiçado para não mergulharmos em seu sentido. A festa, portanto, é nosso constructo necessário para suportar o fardo que é existir. Desejar um feliz aniversário é oferecer os votos para que o indivíduo verse com boas fantasias este seu próximo ano, ou, então, celebrar a vitória das fantasias do ano que passou. Bem, uma coisa não aniquila a outra: a festa é tanto pelo ano que passa como para o ano que se promete.
Diante do ano que virá, a promessa é a arma. A promessa enche o homem de esperança, de fantasias, de ficções. Prometer é estabelecer uma esperança. Esperança de...
Feliz aniversário...
Josemar, uma pseudônima promessa, 22/02/09 - 10:21h
Em se tratando da vida, ou se tratando das coisas na vida, criou-se um costume de celebrar, festejar, reunir em alegria aqueles e aquelas com os quais e com as quais compartilhamos tudo ou boa parte desse tudo. E celebramos a vida ou as coisas que dela fazem parte. Mas a festa também pode significar uma estratégia de fuga, de mascaramento, fantasia sobre algo que nos aterroriza, assusta, amedronta, e este algo é mesmo a própria vida.
É que para mim – e não apenas para mim –, a pior coisa que pode acontecer, manifestar-se é o nascimento de alguém, de mim mesmo, enfim, de algo que venha a existir. Existir constitui-se de uma dor profundamente pungente. Sair do nada e entrar na dinâmica da existência é uma coisa profundamente indesejável por nós humanos, mas ainda assim, somos convocados a existir por acaso ou por vontade daqueles que, não querendo sofrer sozinhos, chamam a nós, fantasiando-nos como suas réplicas para alimentar a ilusão de suas perpetualidades.
Nascendo, imediatamente entramos no movimento fantasmagórico: criamos estilos de vida ou de sobrevivência, formas de morar, de higienes, de relações, de locomoção, modos de interpretar o mundo, as coisas, forjamos a idéia mesmo de interpretar, de conhecer e de verdade. Inventamos a escrita e o entendimento. Criamos a idéia de cultura. Tudo, tudo o que existe e que faz parte de nossa dinâmica existencial não passa de nossa necessidade de ultrapassar, sobrepor à consciência de que existimos e, portanto, sofremos. Agora entendo o porquê da frase nietzschiana que sempre me chamou a atenção e sempre esteve presente em meu pensamento: “a força curadora está no próprio ferimento”. É que parece que mergulhando na vida (ferida) encontramos seu sentido profundo: o sofrimento. E é assumindo este sentido que assumimos a vida mesma.
E se as invenções, as festas e celebrações são para esquecer o sentido de nossa existência, isso não significa que de fato esquecemo-lo. Pois a existência carrega consigo a tarefa de fazer-nos sempre vigilantes à existência, consciente de que existimos. E na obrigação de lembrar em determinada data a nossa existência e sua epifania, seu nascimento, sua explicação ao mundo, logo encontramos um modo todo ilusório, todo enfeitiçado para não mergulharmos em seu sentido. A festa, portanto, é nosso constructo necessário para suportar o fardo que é existir. Desejar um feliz aniversário é oferecer os votos para que o indivíduo verse com boas fantasias este seu próximo ano, ou, então, celebrar a vitória das fantasias do ano que passou. Bem, uma coisa não aniquila a outra: a festa é tanto pelo ano que passa como para o ano que se promete.
Diante do ano que virá, a promessa é a arma. A promessa enche o homem de esperança, de fantasias, de ficções. Prometer é estabelecer uma esperança. Esperança de...
Feliz aniversário...
Josemar, uma pseudônima promessa, 22/02/09 - 10:21h


"O sol nasce para todos!" Presente em tantas vozes, essa expressão faz de todos nós desprovidos de culpas pelas variadas desigualdades humanas, sejam elas representadas pelas dimensões social, política ou étnica. E se o sol brilha para todos, ele, como representante do Bem platônico, não faz distinção entre os homens, pois entende que todos são iguais, portanto, julga ser bom e necessário brilhar para todos. Mas como bom contemporâneo, percebo que o sol platônico não passa de uma metáfora








