Hoje o dia foi cheio de sensibilidade, na verdade, um dia muito sensível. E a noite foi surpreendente e encantadora, mas também dramática. A esperança pousou inesperada e assustadoramente na inocência. Ela veio do inesperado e assustou a inocência. Assim, percebi que nem sempre a esperança é bem-vinda. É que, paradoxalmente, a esperança pode desesperar. O inusitado é que, hoje, a esperança assustou e desesperou a inocência. Esta, assustada e desesperada, gritava num pedido de socorro, demonstrando desespero e susto. Eh, a esperança assusta, às vezes. Desesperada e assustada, a inocência era acolhida em vários braços não inocentes. E todos, na não inocência, buscava auxílios nas palavras para acalentar a inocência tão perturbada pela esperança. Uns abraçavam, outros falavam, outros riram da inocência, outros sentiam enorme compaixão. A inocência estava sendo vítima da compaixão, do zelo, do acalento, das palavras, mas, sobretudo, a inocência era vítima da esperança. A esperança desespera. Naquele instante, esperança e inocência se opunha, em nada se aproximavam a não ser no desespero. Sim, o desespero une esperança e inocência. Nesse rebuliço de ruptura e unidade estranha, foge desesperada também a esperança. Mas também desesperada fica a inocência na esperança de algo lhe apaziguar. Inocência desesperada na espera de... E mesmo no desespero, a inocência reclama da presença fugidia da esperança que, na presença assustadora logo se fez ausente com o presente desespero. No desespero assustado, olha a inocência a escura noite por onde a esperança não mais era vista, mas temida. Sim, mais uma vez sim para a distância segura por onde a esperança se refugiara. Esperança temida e indesejada. Esperança não esperada. A esperança da inocência agora era de que a esperança não mais voltasse. A inocência espera que a esperança não volte, pois ela desespera. A esperança perdida em vôo na noite quase escura, sob luz tênue da velha lua nova, ainda permanecia presente no grito desesperado da inocência que, com olhar salgado, chorava olhando na busca esperançosa pela esperança também desesperada e agora escurecida no espaço enegrecido pela noite calma. Noite calma, velha lua nova, esperança e inocência. Esse conjunto estranho que ao mesmo tempo une, estremece, separa e reúne. A noite avança, a inocência chora, o desespero se dissipa, a esperança voa e repousa além do olhar desesperado da inocência. Agora, por fim, não há mais choro nem desespero. Agora, a inocência tem medo da esperança voltar, mas tem esperança de não mais ter medo da presença da esperança. Um dia de esperança, uma noite de desespero.
Josemar, um pseudônimo de inocência e esperança, 31/10/2008.
Josemar, um pseudônimo de inocência e esperança, 31/10/2008.
Um comentário:
Josemar,
deixo aqui o link do meu post que está muito relacionado com essa questão do registro, que interpreto em seu texto, da esperança.
http://sujeitosubversao.blogspot.com/2008/12/uma-explicao-para-o-sentido-e-o-que-o.html
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