
Eu queria mesmo não ter a definição do que sou. E acho que não tenho essa definição. Talvez, certamente, haja incômodos em mim por não possuir palavras exatas que revelem o que sou. Mas acho interessante a minha intensa despreocupação em encontrar tais palavras para essa definição. Até hoje não encontrei razões suficientes que me convençam da necessidade de me definir. Aliás, a pergunta que faço é: para que ou para quem mesmo serve uma definição? Penso que esta pergunta poderá gerar inúmeras respostas, e é justamente nisso que me deparei com uma palavra que poderá, por um instante, acalentar corações e mentes ansiosos por uma exatidão: possibilidade!
É, acho que a possibilidade é a palavra que mais se aproxima de mim; aliás, eu desejo muito que ela se aproxime de mim, caso eu esteja enganado dessa real proximidade. Eu queria ser visto e entendido como possibilidade. Eu queria ver e entender a todos como possibilidades. Eu queria que fosse possível a possibilidade como minha única e necessária condição de possibilidade ontológica. Eu queria que meu nome fosse possibilidade. Eu queria mesmo ser a possibilidade.
Com isso, experimentaria o gosto indegustável da liberdade. Eu, como possibilidade, nunca mais sentiria o amargor do ressentimento ou rancor, pois entenderia que todos, sendo possibilidades, seriam livres para ser e agir conforme a liberdade de suas possibilidades. Eu, como possibilidade, não me apegaria a nada nem a ninguém porque, como possibilidade, a liberdade impor-se-ia sobre tudo, e o desejo, insano e livre, seria a força da qual emergiria todas e quaisquer possibilidades em mim.

Josemar, um Pseudônimo ou uma Possibilidade!
"O sol nasce para todos!" Presente em tantas vozes, essa expressão faz de todos nós desprovidos de culpas pelas variadas desigualdades humanas, sejam elas representadas pelas dimensões social, política ou étnica. E se o sol brilha para todos, ele, como representante do Bem platônico, não faz distinção entre os homens, pois entende que todos são iguais, portanto, julga ser bom e necessário brilhar para todos. Mas como bom contemporâneo, percebo que o sol platônico não passa de uma metáfora








